Coopemapi: Do Semiárido Mineiro para o Mundo

Coopemapi: Do Semiárido Mineiro para o Mundo

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O Projeto

Narrative Fundadora

A Coopemapi, Cooperativa dos Apicultores e Agricultores Familiares do Norte de Minas, foi fundada em 2016, em Bocaiúva (MG), com o objetivo de transformar a apicultura familiar em uma atividade organizada, sustentável e geradora de renda para comunidades rurais. A cooperativa reúne apicultores que antes atuavam de forma dispersa e com acesso limitado a mercados.

A escolha pela apicultura e pelo mel silvestre do semiárido e do Cerrado mineiro baseia-se na viabilidade ambiental da atividade, sustentada por floradas nativas como a aroeira, e no seu potencial como alternativa econômica sustentável, capaz de manter as famílias no campo e gerar valor a partir da biodiversidade.

Desde o início, a Coopemapi atua na organização dos produtores, no beneficiamento do mel e na garantia de padrões de qualidade, rastreabilidade e acesso a mercados. Assim, o mel deixa de ser apenas um produto local e se torna uma estratégia de desenvolvimento territorial baseada na cooperação, na biodiversidade e na valorização do trabalho familiar.

Adaptação a mercados

Atender mercados mais exigentes exigiu da Coopemapi investimentos em infraestrutura, certificação e governança, com apoio decisivo do programa Rota do Mel, coordenado pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.

Com esses recursos, a cooperativa estruturou unidades de beneficiamento, instalou entreposto, adquiriu equipamentos e adequou seus processos aos padrões de exportação. Passou a contar com entreposto, casas de cera e laboratório, permitindo ampliar a escala, garantir qualidade e organizar a cadeia de forma mais profissional.

Paralelamente, investiu em assistência técnica, capacitação dos apicultores, boas práticas ambientais e sanitárias e fortalecimento da gestão coletiva. Isso possibilitou atender às exigências de mercados internacionais, como rastreabilidade, certificação orgânica e controle sanitário, mantendo a identidade regional e o vínculo com a agricultura familiar.


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Mercados e Produtos de Exportação

O processo de exportação

Os avanços estruturais se traduziram em resultados no mercado internacional. Em 2024, a Coopemapi exportou 9 toneladas de mel para os Estados Unidos e previu o envio de mais 21 toneladas para a Bélgica, totalizando 30 toneladas. Em 2025, embarcou outras 20 toneladas para a Bélgica, dentro de um lote negociado de 60 toneladas.

A exportação foi viabilizada pela infraestrutura, rastreabilidade e atendimento aos padrões internacionais. O mel silvestre, especialmente o de aroeira, destacou-se por sua origem em floradas nativas e características valorizadas no mercado externo.

A cooperativa também diversificou sua atuação com derivados apícolas, como própolis e pólen, ampliando o valor agregado e as oportunidades comerciais.

O mel orgânico do Norte de Minas 

Para os cooperados, a chegada do mel do Norte de Minas aos mercados internacionais representa mais do que renda: é reconhecimento, dignidade e valorização do trabalho rural. Produzido em comunidades remotas do semiárido, o mel passou a contar com certificação orgânica, selo de qualidade e identificação de origem.

Com o beneficiamento e a certificação, a apicultura deixou de ser uma atividade informal para se tornar um negócio estruturado, com escala, governança e acesso ao comércio global. Esse avanço reforça a importância da biodiversidade regional e aponta caminhos sustentáveis para o desenvolvimento das comunidades rurais.

Apicultura familiar na Rota do Mel

A transição de uma apicultura familiar dispersa para uma cooperativa com atuação global foi um dos principais desafios da Coopemapi. O território enfrentava limitações como falta de infraestrutura de beneficiamento, acesso restrito a mercados, pouca assistência técnica e produção irregular.

Superar esse cenário exigiu investimentos, apoio institucional e mudança de mentalidade. Com a Rota do Mel, a cooperativa estruturou casas de cera, entreposto, laboratório e adquiriu equipamentos, além de mobilizar os apicultores para a comercialização internacional sem perder a origem territorial.

O processo demandou cooperação, capacitação e visão de longo prazo. Como resultado, a Coopemapi consolidou um negócio competitivo, com governança e inserção internacional — ainda pouco comum no Norte de Minas.

Novidades, Certificações e Estratégias de Mercado

Perfil produtivo

O principal produto da Coopemapi é o mel silvestre, especialmente de floradas nativas como a aroeira, reconhecido por seu sabor e propriedades sensoriais e funcionais. A cooperativa também produz própolis, pólen e méis de diferentes floradas, como abacate, café e betônica.

A produção anual gira em torno de 120 toneladas, cerca de um quarto da produção apícola do Norte de Minas. A Coopemapi atua em dezenas de municípios, reunindo apicultores familiares comprometidos com práticas sustentáveis e a conservação da biodiversidade regional.

Requisitos de compradores internacionais

Para competir em mercados externos, a Coopemapi atende a requisitos rigorosos, entre eles:

  • certificação orgânica e rastreabilidade de origem;

  • processamento em instalações adequadas, com padrões sanitários internacionais;

  • controle de qualidade, rotulagem e documentação completa;

  • capacidade de volume e regularidade de fornecimento.

Esses critérios foram alcançados por meio do esforço conjunto dos cooperados, do apoio institucional e de políticas públicas voltadas ao fortalecimento da apicultura familiar.

Países de destino

Os produtos da Coopemapi já alcançaram mercados como Bélgica, Estados Unidos e Holanda, além de Portugal, China, Itália e Alemanha em relatórios institucionais. Essa diversidade de destinos demonstra que o mel do semiárido mineiro se posiciona não apenas como produto de nicho, mas como uma commodity de qualidade, inserida em cadeias globais de alimentos naturais e orgânicos.

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Conclusões e o Futuro

Sonho mensurável até 2030

Para os próximos anos, a Coopemapi projeta metas estratégicas:

  • ampliar o número de cooperados, integrando mais famílias do Norte de Minas;

  • aumentar o volume produzido e processado de mel e derivados;

  • expandir o portfólio para produtos de maior valor agregado;

  • consolidar certificações, rastreabilidade e reputação internacional;

  • promover a conservação da biodiversidade regional;

  • fortalecer a visibilidade do “mel silvestre de Minas” no mercado global.

Mel com identidade do seminárido mineiro

A trajetória da Coopemapi demonstra como cooperativismo, biodiversidade, saber local e apoio institucional podem convergir para gerar desenvolvimento sustentável. De uma atividade artesanal e dispersa, emergiu uma cooperativa estruturada, com infraestrutura, certificações e acesso a mercados internacionais.

Mais do que exportar mel, a Coopemapi exporta dignidade, sustentabilidade e esperança. Cada remessa carrega a identidade do semiárido mineiro, o trabalho coletivo de famílias rurais e a convicção de que a apicultura familiar pode transformar realidades e levar o Brasil profundo ao mundo.

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