COOBA-Y: Cooperativa Kayapó de Produtos da Floresta

COOBA-Y: Cooperativa Kayapó de Produtos da Floresta

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O Projeto

A história da COOBA-Y começa em 2012, quando a cooperativa foi criada com o objetivo de organizar e valorizar a produção tradicional de castanha do Brasil (castanha-do-pará) pelos povos Mẽbêngôkre-Kayapó da Bacia do Rio Xingu — no Pará. 

A necessidade era clara: gerar renda e subsistência para as famílias indígenas Kayapó, ao mesmo tempo que se preservava a floresta nativa e os saberes comunitários. A COOBA-Y não apenas organiza a coleta e beneficiamento da castanha, mas também estruturou o escoamento e comercialização da produção, buscando parceiros que valorizem os atributos socioambientais da castanha além da mera renda. 

O processo de exportação — da ideia à remessa para a Europa

A COOBA-Y iniciou a busca por um parceiro internacional para exportar castanha beneficiada. O pedido foi ajustado para 6 toneladas, e a cooperativa optou por conduzir a exportação diretamente, sem intermediários.

Com apoio da Conexsus, obteve as habilitações necessárias, incluindo o registro no sistema RADAR da Receita Federal e o cadastro no MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária), além de se adequar às exigências para exportação de produtos da floresta.

A preparação envolveu embalagem, paletização e cotações logísticas para transporte terrestre e marítimo. Após análise, foram contratados um despachante em Santos e um operador de frete marítimo, responsáveis pelos trâmites no Siscomex e pelo desembaraço aduaneiro.

Durante o processo, a carga foi direcionada ao “canal vermelho”, exigindo inspeção física e gerando atrasos e custos adicionais. Ainda assim, a remessa seguiu para a Inglaterra, marcando a primeira exportação internacional da COOBA-Y: 6 toneladas de castanha beneficiada.

No ano seguinte, uma nova exportação ao mesmo comprador foi realizada de forma autônoma, demonstrando o amadurecimento da cooperativa. Com o processo internalizado, a COOBA-Y avança na conquista de novos mercados, fortalecendo sua independência e capacidade de planejamento.

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Mercados e Produtos de Exportação

Adaptação a mercados internacionais: “traduzindo” a floresta Kayapó

Para acessar mercados internacionais, a COOBA-Y conectou a produção indígena tradicional às exigências do comércio global, como rastreabilidade, conformidade sanitária e documentação.

Com apoio da Conexsus, estruturou sua operação com habilitação no RADAR (Receita Federal) e cadastro no MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária).

A cooperativa também passou a integrar a ApexBrasil e a Mesa Executiva de Exportação da Castanha do Brasil, fortalecendo sua atuação em rede e sua capacidade de exportação sustentável.

Estruturando cadeias no interior da floresta

O principal desafio foi formalizar uma produção tradicional sem perder sua base comunitária — garantindo documentos, logística e rastreabilidade exigidos pelo comércio internacional.

A solução foi a adoção de um modelo híbrido: manter o manejo indígena e estruturar a formalidade exportadora.

Com apoio da Conexsus e inserção em iniciativas como ApexBrasil e a Mesa Executiva, a COOBA-Y viabilizou a exportação direta, preservando valor na cadeia e fortalecendo sua autonomia.


Novidades, Certificações e Estratégias de Mercado

Impacto socioambiental

Hoje, o Projeto Kayapó articula um sistema produtivo que gera impactos positivos em múltiplas dimensões.

A renda fortalece a autonomia das comunidades e contribui diretamente para a proteção territorial. Ao oferecer uma alternativa econômica baseada na floresta preservada, a cadeia da castanha reduz a vulnerabilidade das comunidades à cooptação por atividades ilegais.

Ao mesmo tempo, a atividade reforça a transmissão de conhecimentos tradicionais entre gerações, fortalecendo a resiliência cultural Kayapó.

Exportar produtos da floresta é resistência.

Cada lote exportado representa não apenas um produto alimentício, mas também uma forma de afirmar que a floresta pode gerar prosperidade sem ser destruída.


Conclusões e o Futuro

Sonho mensurável até 2030

A visão de futuro da Madame Brésil combina expansão comercial e compromisso socioambiental. Até 2030, a marca pretende:

  • ampliar significativamente o catálogo de produtos: cafés, cachaças, especiarias e ingredientes amazônicos;

  • expandir a distribuição para outros países europeus, como Portugal, Bélgica e Alemanha;

  • consolidar cadeias de comércio justo e agricultura familiar, garantindo remuneração adequada e visibilidade internacional aos produtores;

  • estabelecer a culinária brasileira como referência de qualidade, autenticidade e sustentabilidade na Europa.

Sociobiodiversidade e gastronomia

A Madame Brésil leva ingredientes tradicionais brasileiros para mercados exigentes, combinando qualidade, sustentabilidade e rastreabilidade, ao mesmo tempo em que conecta culturas, biomas e pessoas.

Cada produto enviado para a Europa contém mais do que apenas ingredientes: contém a identidade, a memória e a valorização do Brasil.

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